Procuro incessantemente um culpado
Para este martírio que me deixa desolado
O verbo amar, por mim não pode mais ser conjugado
Mas teria eu desaprendido o que já me fora outrora ensinado?
Talvez alguém teve o poder de fazer-me esquecer
De maneira parcial, já que fez-me perceber
Que apenas o pretérito deste verbo ainda posso compreender
Já o futuro e o presente no ostracismo foram perecer
Mas talvez ainda me reste uma chance de tentar
A aprender novamente a este verbo conjugar
Ou quem sabe a conseguir alguém para me ensinar
De maneira tão singela, genuína e peculiar
Esta falta de sintonia entre o verbo e a conjugação
Em meio ao esquecimento talvez tenha solução
Com duas almas conjuntas em perfeita união
Ressuscitando o saber conjugando com perfeição
Texto de Jorge Pontes
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Amor desconjugado
terça-feira, 10 de maio de 2011
E ao abrir as cortinas, a magia do espetáculo é ofuscada pela verdade
Há quem diga que a televisão educa, mas engana. Entretanto, é indiscutível que ela fascina uma multidão de pessoas. Por sua vez, o entretenimento consegue agradar a grande maioria, até mesmo àqueles utilizam a televisão apenas para saciar a sede de informações e de conhecimento.
Há vários anos, um programa televisivo consegue atrair a atenção dos telespectadores, utilizando-se da junção destes dois ingredientes, informação e entretenimento, que ao mesmo tempo em que encantam, educam. O Programa do Jô é não só um prato cheio para os amantes de uma boa entrevista descontraída, como também para os sedentos por informação.
Há mais de meio século na área, e com um prestígio admirável, José Eugênio Soares, o Jô Soares, tem o dom de prender a atenção dos telespectadores com entrevistas produtivas e trocadilhos rápidos, que por vezes são alternados com piadas curtas raciocinadas com uma velocidade formidável. Uma engasgada do entrevistado ou uma “bola fora”, desencadeia um comentário rapidamente criado pelo apresentador, de forma engraçada e criativa. A grosso modo, é uma “língua afiadíssima”.
Porém, quando o programa é presenciado por todos os ângulos, diferentemente dos enquadramentos aos quais os telespectadores ficam limitados, o espetáculo perde um pouco do brilhantismo, criado a partir das imagens vistas na televisão.
A realidade é outra. Não que isso desmereça ou apague a beleza do Programa, mas a ofusca parcialmente, de maneira que quem presencia passa conhecer o que realmente é verdade. O que antes parecia um estúdio enorme passa ser pequeno, da mesma maneira pela qual o apresentador, com pique de menino, aparenta ter uma estatura inferior à vista na telinha.
Assistentes, produtores, auxiliares, falando e gesticulando, mantendo a ordem e câmeras estrategicamente posicionadas, deixam tudo organizado e o mais próximo possível do perfeito. Os bastidores realmente são surpreendentes, educativos e incitantes. Mas, de certa forma, o faz ver o Programa (que poderia ser qualquer outro) com outros olhos, desfalecendo aquele olhar, embora peculiar, ligeiramente ludibriado (no bom sentido, claro).
Texto de Jorge Pontes
Texto de Jorge Pontes
sexta-feira, 25 de março de 2011
De repente, saudades!
Chegará um dia que não mais aguentarei a saudade e ela transbordará pelos meus olhos.
Pense que isso não serão lágrimas de tristezas ou tampouco de alegria.
É incrível como pude viver sem tê-la por anos, sendo que hoje, alguns poucos dias me sufocam.
Saudade é uma dor inexplicável, o tempo parece parar. Não há distração que o faça passar. Impossível encontrar uma saída para meus dias que parecessem tão compridos. Tento, mas não consigo cessar os pensamentos quando a noite chega.
É como estar sozinho, bem acompanhado. É como se um vazio encontrasse meu peito e o fizesse doer intensamente, até esquecer. Alguns poucos minutos se passam e tudo volta, até a próxima esquecida.
Saudade é ter a impressão que o mundo vai acabar, e, de repente, perceber que nada é tão grave quanto parece ser.
Saudade é ser dramático aos montes e de repente se auto-confortar sabendo que tudo logo vai passar tão logo como certamente sempre voltará.
domingo, 13 de março de 2011
Divergência com convicção
Convicção!
Esta sim é a culpada de nossas ações muitas vezes precipitadas e errôneas.
Esta palavra estranha cria uma barreira intransponível, que impede que tenhamos uma nova opinião ou a formulação de um novo conceito a cerca de determinado fato. Uma vez convictos de algo, já é o suficiente para não voltarmos atrás em uma decisão ou mesmo consertar uma situação embaraçosa.
Já dizia um grande filósofo, “não é a mentira a real inimiga da verdade, mas a convicção”. Quando esta se apodera do pensamento de alguém não sobra espaço para que o racionalismo seja exercido. É impossível pensar de forma cautelosa e correta.
Esta palavra erradamente usada por alguns na tentativa de forjar a assertividade, é alienante e nociva à racionalidade das atitudes dos seres humanos.
Texto de Jorge Pontes
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O espetáculo do amor
E assim que as cortinas daquele espetáculo se fecham,
aquele homem ator, da o lugar ao homem autor,
onde por meio de tolas palavras
acredita fazer com que tais angustiosos sentimentos se dissipem
ao longo de longas linhas,
esperando sempre uma nova reapresentação em outros diferentes palcos.
Assim é o espetáculo do amor!
aquele homem ator, da o lugar ao homem autor,
onde por meio de tolas palavras
acredita fazer com que tais angustiosos sentimentos se dissipem
ao longo de longas linhas,
esperando sempre uma nova reapresentação em outros diferentes palcos.
Assim é o espetáculo do amor!
sábado, 4 de dezembro de 2010
Ser Jornalista é...
Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando. É não ter medo de nada nem de ninguém. É aventurar-se no desconhecido, sem saber direito que caminho irá te levar. É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar mares nunca antes navegado. É nunca esmorecer diante do primeiro não. Nem do segundo, nem do terceiro... É saber a hora certa de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar no que ninguém procurou. É transformar uma simples caneta em uma arma letal.
Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um componente a mais para alcançar o objetivo. É estar no Quarto Poder, sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três juntos.
Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes, guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer. É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira, um planeta inteiro. Jornalismo é profissão perigo. É coisa de doido, de maluco beleza. É olhar para a linha tênue entre o bom senso e a loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que entre um furo e outro de reportagem haverá muitas coisas no caminho. Quanto mais chato melhor o jornalista.
Ser jornalista é ser meio metido a besta mesmo. É ignorar solenemente todo e qualquer escrúpulo. É desnudar-se de pudores. Ética? Sempre, desde que não atrapalhe. A única coisa realmente importante é manter a dignidade. É ser petulante, é ser agressivo. É fazer das tripas coração pra conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar, confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É lidar com pressão, pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar sentimentos de lado, botar o cérebro na frente do coração. É ser frio, calculista e de preferência kamikaze. É matar um leão por dia, e ainda sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e saber que é ele quem vai te tirar das enrascadas. Ou te colocar nelas.
Ser jornalista é ser meio ator, meio médico, meio advogado, meio atleta, meio tudo. É até meio jornaleiro, às vezes. Mas, acima de tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de outra, todo mundo também gostaria de ser um pouquinho jornalista.
Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes, guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer. É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira, um planeta inteiro. Jornalismo é profissão perigo. É coisa de doido, de maluco beleza. É olhar para a linha tênue entre o bom senso e a loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que entre um furo e outro de reportagem haverá muitas coisas no caminho. Quanto mais chato melhor o jornalista.
Ser jornalista é ser meio metido a besta mesmo. É ignorar solenemente todo e qualquer escrúpulo. É desnudar-se de pudores. Ética? Sempre, desde que não atrapalhe. A única coisa realmente importante é manter a dignidade. É ser petulante, é ser agressivo. É fazer das tripas coração pra conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar, confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É lidar com pressão, pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar sentimentos de lado, botar o cérebro na frente do coração. É ser frio, calculista e de preferência kamikaze. É matar um leão por dia, e ainda sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e saber que é ele quem vai te tirar das enrascadas. Ou te colocar nelas.
Ser jornalista é ser meio ator, meio médico, meio advogado, meio atleta, meio tudo. É até meio jornaleiro, às vezes. Mas, acima de tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de outra, todo mundo também gostaria de ser um pouquinho jornalista.
Parabéns a nós!
Assinar:
Postagens (Atom)