sexta-feira, 25 de março de 2011

De repente, saudades!

Chegará um dia que não mais aguentarei a saudade e ela transbordará pelos meus olhos.
Pense que isso não serão lágrimas de tristezas ou tampouco de alegria.
É incrível como pude viver sem tê-la por anos, sendo que hoje, alguns poucos dias me sufocam.
Saudade é uma dor inexplicável, o tempo parece parar. Não há distração que o faça passar. Impossível encontrar uma saída para meus dias que parecessem tão compridos. Tento, mas não consigo cessar os pensamentos quando a noite chega.
É como estar sozinho, bem acompanhado. É como se um vazio encontrasse meu peito e o fizesse doer intensamente, até esquecer. Alguns poucos minutos se passam e tudo volta, até a próxima esquecida.
Saudade é ter a impressão que o mundo vai acabar, e, de repente, perceber que nada é tão grave quanto parece ser.
Saudade é ser dramático aos montes e de repente se auto-confortar sabendo que tudo logo vai passar tão logo como certamente sempre voltará.

domingo, 13 de março de 2011

Divergência com convicção

Convicção!
Esta sim é a culpada de nossas ações muitas vezes precipitadas e errôneas.
Esta palavra estranha cria uma barreira intransponível, que impede que tenhamos uma nova opinião ou a formulação de um novo conceito a cerca de determinado fato. Uma vez convictos de algo, já é o suficiente para não voltarmos atrás em uma decisão ou mesmo consertar uma situação embaraçosa.
Já dizia um grande filósofo, “não é a mentira a real inimiga da verdade, mas a convicção”. Quando esta se apodera do pensamento de alguém não sobra espaço para que o racionalismo seja exercido. É impossível pensar de forma cautelosa e correta.
Esta palavra erradamente usada por alguns na tentativa de forjar a assertividade, é alienante e nociva à racionalidade das atitudes dos seres humanos.
  
Texto de Jorge Pontes

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O espetáculo do amor

E assim que as cortinas daquele espetáculo se fecham,
aquele homem ator, da o lugar ao homem autor,
onde por meio de tolas palavras
acredita fazer com que tais angustiosos sentimentos se dissipem
ao longo de longas linhas,
esperando sempre uma nova reapresentação em outros diferentes palcos.
Assim é o espetáculo do amor!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ser Jornalista é...

Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e informar hipnotizando. É não ter medo de nada nem de ninguém. É aventurar-se no desconhecido, sem saber direito que caminho irá te levar. É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar mares nunca antes navegado. É nunca esmorecer diante do primeiro não. Nem do segundo, nem do terceiro... É saber a hora certa de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar no que ninguém procurou. É transformar uma  simples caneta em uma arma letal.

Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um componente a mais para alcançar o objetivo. É estar no Quarto Poder, sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três juntos.

Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes, guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer. É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira, um planeta inteiro. Jornalismo é profissão perigo. É coisa de doido, de maluco beleza. É olhar para a linha tênue entre o bom senso e a loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que entre um furo e outro de reportagem haverá muitas coisas no caminho. Quanto mais chato melhor o jornalista.

Ser jornalista é ser meio metido a besta mesmo. É ignorar solenemente todo e qualquer escrúpulo. É desnudar-se de pudores. Ética? Sempre, desde que não atrapalhe. A única coisa realmente importante é manter a dignidade. É ser petulante, é ser agressivo. É  fazer das tripas coração pra conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar, confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É lidar com pressão, pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar sentimentos de lado, botar o cérebro na frente do coração. É ser frio, calculista e de preferência kamikaze. É matar um leão por dia, e ainda sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e saber que é ele quem vai te tirar das enrascadas. Ou te colocar nelas.

Ser jornalista é ser meio ator, meio médico, meio advogado, meio atleta, meio tudo. É até meio jornaleiro, às vezes. Mas, acima de tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de outra, todo mundo também gostaria de ser um pouquinho jornalista. 

Parabéns a nós!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reciprocidade

Meu amor depende do seu estado de espirito.
Sou um eterno e eximio apaixonado,
te amo incondicionalmente.
Se está bem, fico bem.
Se te sentes mal, fico mal.
Se me amas, para sempre seras amada!

Nao serei egoista em dizer que nunca alguem te amará como te amei,
mas sei que nunca alguem te amou como te amarei.

domingo, 17 de outubro de 2010

Discurso de Oração (Jornalismo 2009)

Discurso de Oração da 12ª turma de Jornalismo - UNIFEV 2009

Senhoras e senhores, autoridades, familiares, amigos, colegas, muito boa noite.
Vivemos hoje uma situação confusa. É notório e plenamente visível o fato de não nos contermos de tamanha alegria, ao recebemos o diploma de jornalista, afinal, nunca esse diploma foi tão contestado, tanto no viés prático quanto no jurídico.
Ao mesmo tempo em que estamos celebrando aqui, a conquista da nossa profissão, nos questionamos: que conquista é essa?
A possibilidade de divulgar a informação já é algo que foge completamente ao domínio do jornalista. Um garoto de 15 anos, especialista em algum assunto, pode publicar num blog e pode ter mais audiência que uma coluna de um jornal de pequena circulação.
Enquanto dedicávamos enormes esforços para concluir nosso curso, em algum apartamento ao lado, uma menina que jamais sentou num banco universitário poderia estar publicando as últimas informações sobre moda, demonstrando um conhecimento que, às vezes, o melhor jornalista do assunto não teria.
Enquanto alguns de nós passamos a noite inteira na redação atualizando tabelas, divulgando noticias de plantão, um rapaz pode estar na rua, fazendo uma reportagem sobre indigentes, que será citada por todos os professores do curso de Jornalismo. Os mesmos que dirão com um pouco de orgulho e um tanto de respeito: “viram só, ele não precisou de diploma”.
Eis que nosso diploma hoje se tornou um debate que tomou as ruas, que chegou ao congresso, que paira às vezes no crivo dos maiores magistrados do país. A decisão de acabar com a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo pode ser tomada por pessoas que nunca leram o teórico da profissão, e que nunca fizeram uma grande reportagem.
Vivemos uma época em que o conhecimento acadêmico jornalístico está sendo colocado em oposição ao conhecimento da vida. Aquele que já atua por mérito próprio, sem o diploma, que deveria ser uma louvável exceção, é colocado como base para minimizar o trabalho desenvolvido numa faculdade.
Não pegar num caderno para estudar jornalismo é motivo de orgulho para alguns. Pois mais vale encher a cesta de livros e passear no parque ao invés de estar em sala de aula.
Diante de tudo isso, vale a pena se formar em jornalismo?
Poderia dissertar sobre o tema, mas como estamos nos formando profissionais, vamos usar o método jornalístico, faço perguntas a cada um de vocês: “Como assim não vale a pena?”
Aqueles momentos de angustia vendo a filha estudando as mais complicadas formas de geometria analítica para passar no vestibular.
Aquelas risadas na mesa de jantar quando o calouro despendia orgulhoso ao aprender a teoria da pirâmide invertida, o quanto aquele novo professor era genial.
Aquele ombro amigo que vocês deram quando, no primeiro semestre, ele rodou numa DP de Teoria da Comunicação e disse que não queria mais fazer o curso.
A tensão pela falta de um projeto, a tensão pelas noites em claro fazendo monografia, a hipertensão momentos antes de apresentar a banca, a alegria da aprovação final.
Porque tudo isso, vocês país, familiares, esposas, filhos, amigos, namorados, passaram nos últimos anos!
Ao final de tudo isso, da para dizer que não valeu a pena!??
Por outro lado, para nós, talvez, um dia, esse momento que vivemos agora assuma uma naturalidade que jamais deveria existir. Um dia nós poderemos estar chefe de uma redação e contratando aquela menina que não é jornalista, escreve bem e é bonitinha.
Outro dia poderemos estar por trás de uma mesa de sala de aula, ai mesmo na comunicação e dizendo que jornalismo é melhor sem diploma.
Só que aquela menina bonitinha, recém chegada à redação do jornal, aquele vizinho adolescente que escreve blog, aquele rapaz que presta um maravilhoso serviço social ao ouvir os indigentes, nenhum desses passou por esses momentos de angustias e alegrias.
É disso que é feita uma faculdade. Não apenas de cadeiras obrigatórias eletivas, professores competentes ou não. Não apenas de equipamentos, salas bonitas, livros novos ou ar condicionado.
A faculdade também é toda maravilhosa experiência de vida que adquirimos, desde o primeiro risco de tinta na testa, até o canudo na mão.
Senhoras e senhores, o jornalismo de Carlos Chagas, de Nelson Rodrigues, de Clarice Lispector, de Caco Barcelos, de Boris Casoi, todo esse jornalismo é feito da mesma essência de vida: a essência da experiência!
O talento de escrever a sensação de viver para o público que vive tudo bem diferente.
Todos nós aqui vivemos intensamente o jornalismo nos últimos anos, por isso estamos compartilhando com vocês essa conquista.
Esse diploma é para todos aqueles que acreditam que ser jornalista vale a pena.
Amanhã, podemos contar as histórias de vocês, mas hoje, em edição extraordinária, estamos escrevendo a nossa!

Muito Obrigado!

Texto e Discurso: Diego Hurtado